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sábado, 5 de junho de 2010

ASSIM VAI O UNIÃO FE

"União Futebol do Entroncamento em riscos de fechar as suas portas

Entroncamento, 27 de Maio de 2010

Ao,
Exm.o Sr. Chefe de Redacção

Venho, por este meio partilhar consigo de uma situação que tenho observado há alguns meses e me tem deixado deveras indignada.

Não só a mim, mas a várias outras pessoas sócias há longos anos do União Futebol do Entroncamento, adeptos do clube, apaixonados pelo desporto, pais e mães das crianças que teimam em praticar ali uma modalidade.

Num clube credível, que sempre foi sério e transparente até à entrada em funções de uma direcção, bando de malfeitores, que pelas suas acções nada mais têm feito do que concorrer para o fecho de portas do União, para o fim de algumas modalidades ali praticadas, para o despedaçar de uma instituição histórica.

Sempre assisti às grandes vitórias deste clube, à capacidade que tem de superar as dificuldades, à entrada e saída de funções de vários corpos directivos, que por lá foram passando. Alguns memoráveis, outros efémeros. Manteve-se porém, o núcleo que sustenta o clube, o núcleo de apaixonados pelo União, sócios, ex-atletas, treinadores. Esses sim, os heróis que têm ultrapassado as tempestades e conseguido fazer sempre do União Futebol do Entroncamento um clube de referência no distrito e também a nível nacional sobretudo se falarmos das duas modalidades mais antigas: o hóquei em patins e a patinagem artística.

Ora, com esta direcção todo o trabalho deste núcleo está a ser posto em causa, por razões mesquinhas, intriguistas e de excesso de protagonismo que em nada beneficiam os interesses globais do clube.

Um dos corpos directivos do União Futebol do Entroncamento, mãe de ex-atletas da patinagem artística do clube, mantém-se na direcção somente para alimentar e promover uma campanha declarada para terminar com a modalidade. Ou, sendo mais clara, procurar substituir a professora de patinagem, com mais de 40 anos de experiência, pela sua filha que terminou um curso de monitora de patinagem há cerca de um ano.

Esta senhora, dirigente, tem aliciado atletas do União para outros clubes, alegando que a professora não tem capacidades e o clube não tem condições. Recordo, a mesma professora que formou os filhos desta senhora e conduziu um deles ao estatuto de patinador internacional.

Presenciei, há cerca de duas semanas, um campeonato nacional onde a dirigente do União supra citada esteve presente, sem nunca se dirigir aos patinadores do União que actuaram nesse campeonato.

Muito menos sem felicitar ou manifestar apoio a essa equipa que representava, naquele momento o clube.

Antes pelo contrário.

Manteve um comportamento inaceitável, aplaudindo efusivamente outros patinadores, alguns adversários directos do União, remetendo-se ao total silêncio e indiferença nas actuações dos jovens do seu clube.

Recordo que a patinagem artística do União é dirigida, julgo que há mais de 15 anos, pela professora Quina, sem grandes dúvidas a melhor professora de patinagem do distrito, e umas das melhores do país.

Basta olhar o palmarés que transporta de títulos regionais, nacionais e internacionais, basta recordar todas as alegrias que a patinagem artística já trouxe ao município do Entroncamento. Basta dizer que três outros treinadores dos clubes do distrito de Santarém foram alunos da professora Quina.

Não há, por isso, margem para dúvidas.

Apenas, este novo presidente, coadjuvado por um grupo de dirigentes autoritários e “sabichões” pretende abrir guerra contra a patinagem. Promover polémicas e facilitar a desagregação do clube.

Durante 15 anos, hóquei e patinagem artística sempre coabitaram com respeito, amizade e compreensão. Agora, este Sr. Presidente pretende fragmentá-los, limitar as horas de treino, impor-se nos assuntos técnicos, da responsabilidade dos treinadores, assuntos esses que desconhece e para os quais não tem qualquer formação.

Nunca o União esteve tão enfraquecido, nunca tão débil do ponto de vista financeiro. Nunca o União esteve tão desunido. Em riscos de fechar portas, deitando por terra o empenho, esforço e dedicação de alguns históricos da terra, grandes desportistas e dirigentes.

O Sr. Presidente não ouve os pais, recusa-se a respeitar os sócios e actua apenas com esse grupo de directores que, por não terem ali quaisquer interesses competitivos e desportivos, preferem ver o fim daquele clube.

Sócios e pais ligados à patinagem, que pagam mensalmente as suas quotizações, já pediram a saída dessa senhora, reconhecendo o boicote que está a fazer à patinagem. Mas nada é feito.

A senhora continua a sua campanha, aliciando o presidente e os dirigentes com patrocínios vindos das suas lojas de óculos.

Por sua vez o presidente anunciou que iria deixar a direcção em Dezembro. Há rumores de que pretende formar um novo clube, levando os atletas da patinagem do União que a senhora directora conseguir persuadir.

É um facto lamentável.

Por essa razão e como penso que a sociedade civil tem sempre uma palavra a dizer, venho por este meio deixar de compactuar com o silêncio instaurado em torno desta questão.

O objectivo é apenas o de salvar e “limpar” um clube e uma modalidade pelos quais tenho o maior carinho e a mais elevada estima.

Agradeço que levem em consideração esta minha carta e lhe dêem o tratamento que considerarem mais oportuno, no vosso respeitável órgão de comunicação social.

Cumprimentos sinceros

Alice José Fonseca"

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CARTÃO AZUL: O PAPARUCO

Em mais um excelente texto, publicado na rubrica "O Paparuco", o Cartão Azul dá os parabéns ao União FE pelos 81 anos comemorados ontem e apresenta uma "imagem" das diferenças entre o União FE de há algumas décadas e o União FE actual.

O texto pode ser lido na integra aqui.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

UNIÃO FE: REFLEXÃO

Prestes a completar mais um aniversário (81 anos a 31 de Dezembro) apresentamos hoje uma reflexão daquilo que é o União FE actual ou se preferirem um resumo do ano que agora termina.

Foi no final de 1928 que um grupo de 11 jovens, todos empregados de escritório, se uniram em volta daquilo que queriam que fosse o seu ideal. E foi ali, no Campo da Pinheira, quando ainda era preciso ceifar o mato e acarretar com as balizas pelas costas, que o União veio a ter o seu primeiro campo de jogos. O União FE pode orgulhar-se de ter sido o introdutor do desporto feminino no Entroncamento.

No final do texto, apresentado em cima, podemos ler: “Actualmente o clube pouco vive. Nota-se a falta do entusiasmo das outras eras, como que não havendo crença naquilo que se poderá fazer… E é pena! O passado decerto que vale um esforço, pequeno que seja ele, do presente!
O texto referido foi publicado no jornal “O Entroncamento” em Dezembro de 1955, em referência ao 27º aniversário do nosso clube, mas poderia ter sido publicado num qualquer jornal nos dias de hoje.

Na minha opinião (e que pode não ser a de uma maioria de Unionistas) o clube que passou ao longo desta longa história por muitos momentos de glória mas outros também de menor fulgor, vive nos dias de hoje numa curva descendente. Se não vejamos, a vertente cultural do clube desapareceu quase por completo, era normal há uns anos falar-se de um baile de Passagem de Ano, de uma Gala de Melodias que fizeram Sucesso ou de um concurso de Vestidos de Chita. Nos dias de hoje nada disto se faz (à excepção da Tasquinha nas Festa da Cidade) e o desporto constitui a única vertente do clube. Vertente esta que vive um pouco “ao sabor dos acontecimentos” sem um projecto com principio, meio e fim. A saída de jogadores formados nas escolas unionistas, em divergência com o clube, para outros clubes das redondezas tornou-se prática habitual. Dando apenas alguns exemplos no último ano saíram do clube vários atletas formados no União FE como são os casos do Daniel Noronha, Pedro Brazete, Eduardo Fernandes, o não ingresso do Eliseu Raimundo e do Marco Bento que já tinham tudo certo para esta época e ainda, no ano anterior, a saída do Fernando Vaz, um dos únicos treinadores da formação despedidos durante o decorrer da época, com formação hoquista no União FE.
Além disto os resultados desportivos, no que ao hóquei diz respeito, não são os melhores como podemos ler numa notícia de Janeiro deste ano no UFE Hóquei :
“Num fim-de-semana em que o UFE averbou 4 derrotas nos 4 jogos realizados. Marcou 7 golos e sofreu 56 temos que concluir que algo não vai bem no reino do União. Treinadores, Dirigentes. Toca a reunir! O NOSSO CLUBE MERECE MAIS!”

De lá para cá as coisas não melhoraram:
- A equipa sénior desceu no final da passada época à 3ª Divisão Nacional;
- A equipa júnior, a disputar o Regional da categoria, dificilmente atingirá o Nacional;
- A equipa juvenil ainda não conseguiu nenhuma vitória no Regional que disputa;
- As equipas mais jovens do clube (Benjamins e escolares) disputam os Convívios distritais com razoáveis resultados.
Devido à política de alguns anos o União FE não dispõe de equipas de Infantis e Iniciados.

Quanto à Patinagem Artística não foi levado a cabo, embora estivesse previsto (como podemos consultar na imagem mais a baixo), o habitual Festival de Patinagem que normalmente era levado a efeito e que trazia ao clube prestígio e alguns euros tão necessários neste tempo de crise.

A nível directivo registaram-se também a saída de alguns elementos, e o único projecto desta direcção, a remodelação dos balneários, continua envolta em mistério.

Na minha opinião esta obra, apesar de necessária, teria de ser bem estruturada e a forma como foi conduzida deveria de ter sido explicada aos sócios. E esta não é apenas a minha opinião, como podemos ler num artigo de opinião, apresentado neste blog em Agosto deste ano, (que pode ler na integra aqui aqui), em que Francisco Gavancho, sócio do clube, perguntava o seguinte: “O pavilhão está a ser melhorado a nível de balneários, o que só por si é uma óptima noticia, mas a que preço? Serão verdade os rumores que correm em que o preço poderá ser elevadíssimo, ou por em risco aquilo que foi construído com tanto sangue, suor e lágrimas por uma série de verdadeiros Unionistas, alguns dos quais como referi anteriormente que partiram este ano?” Estas e outras perguntas estão ainda por responder. É caso para dizer, e citando novamente o Francisco: “pois as sucessivas recusas em dar explicações, começa a dar razão a quem vai comentando a situação do clube, e são muitas.

A inauguração da referida obra foi um acontecimento mais para a fotografia do que para os sócios do clube.

Quanto à actual época desportiva penso que não valerá a pena falar mais, pois todos sabem o que aconteceu faltando apenas explicar o porquê de ter acontecido. Ainda em relação à direcção do clube estava prevista a realização de uma Gala de comemoração dos 80 anos do clube (como é visível na imagem em baixo) não havendo motivo aparente para a sua não realização.

Em relação às finanças do clube, no inicio da época e por altura das obras de remodelação do pavilhão, foram retirados os placares publicitários do pavilhão e até hoje não foram repostos e segundo sei alguns dos anunciantes já renunciaram aos acordos que tinham com o clube. Como é normal estes factos desprestigiam o clube e perdem-se receitas, que são o ganha pão de qualquer clube.

E para compreender melhor o que vai na alma de muitos Unionistas basta ler aqui as palavras de Luís Brízida transcritas no nosso blog.

Por tudo isto que expôs é urgente um toque a reunir de todos os que gostam do clube para que se discuta qual o futuro do clube e como o mesmo deve de ser preparado. Deveria de partir da direcção essa iniciativa, mas se tal não acontecer, devem de ser os sócios a reflectir e tomarem posição na vida do clube.

Não queria terminar este texto sem referir alguns daqueles Unionistas que partiram durante o ano que se apressa a acabar, como são os casos de António Camarinhas (ex-jogador e dirigente), Jorge Barral (ex-dirigente), Francisco Raimundo (escritor do historial do União FE) ou Diogo Malato (ex-Massagista e Dirigente). A todos eles a minha homenagem por terem deixado gravado o seu nome na história do União FE. Que descansem em Paz!!

Imagens: "O Entroncameto" de 30 de Dezembro de 2009 e Site do União FE
Edição: UFE Fans

Este texto encontra-se aberto a comentários.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

VALE A PENA PENSAR NISTO: A FORMAÇÃO

PENSAR A FORMAÇÃO

"A nossa modalidade está bem viva e conseguirá voltar aos tempos da ribalta se todos nós que estamos ligados directa ou indirectamente contribuirmos de forma positiva para a resolução dos problemas existentes
Durante anos a nossa modalidade andou “doente”, adormecida e pouco ou nada se fez para mudar a situação. Felizmente estamos a acordar e a tentar curar os “males” que a afectam.

A falta de visibilidade, projecção e credibilidade foi fazendo com que o hóquei em patins fosse aos poucos perdendo o seu espaço (que detinha por direito próprio) no panorama desportivo nacional. Os problemas que foram afectando os clubes levaram, por arrastamento e de uma forma natural, aos problemas na formação, não só nos escalões mais jovens de competição, mas também na sua base de formação inicial, até à iniciação da patinagem.

Foram vários os factores que foram gradualmente afectando a formação. Desde logo, o surgimento de novas modalidades, menos dispendiosas e de fácil aprendizagem.

Diremos, por exemplo, que para jogar voleibol ou futebol de salão, apenas precisamos de uma bola e calçar umas sapatilhas. Não é menos verdade que para patinar apenas precisamos de uns patins, mas para jogar hóquei em patins precisamos ainda de um stick, e todo um conjunto de outros acessórios, como as luvas, joelheiras, caneleiras... e, fundamentalmente, conseguir conjugar todo este equipamento. Para além disso contrariamente a outras modalidades a nossa não faz parte, salvo raras excepções, das que estão integradas nas escolas através do desporto escolar. A mudança dos quadros competitivos, a “violência” nos escalões mais jovens, a dificuldades de recintos desportivos para a prática da modalidade, bem como o pouco investimento das equipas seniores em jogadores vindo dos juniores, foram outros factores que foram contribuindo para o avolumar dos problemas ao longo dos anos. Não podemos também deixar de lado o facto de hoje em dia se procurar obter resultados para “ontem” e não a médio longo prazo. Os próprios atletas (salvaguardando as devidas excepções) encaram o próprio hóquei em patins de uma forma diferente. Facilmente hoje em dia um atleta falta a um treino, ora porque tem um jantar de aniversário ora porque tem um teste no dia a seguir, etc.

As soluções para esta situação não são fáceis, nem de resultado visível a curto prazo.

Um factor dinamizador e muito importante, servindo de mola impulsionadora na formação, é o facto de o clube ter uma equipa sénior a disputar o Campeonato Nacional da I Divisão. Quanto maior for o sucesso da equipa sénior maior a divulgação, interesse e entusiasmo dos jovens na modalidade.

Passará por uma intervenção forte na iniciação, tentando a “massificação”, cativação de miúdos para a patinagem, de forma a efectuar posteriormente uma triagem com vista à competição. Outra aposta passará pelo envolvimento das entidades municipais, câmaras e juntas de freguesia, na colaboração com os clubes de zonas geográficas mais afastadas dos grandes centros. A responsabilização dos próprios atletas e dos seus familiares, a integração progressiva nas suas equipas seniores serão também contributos importantes na ajuda da resolução dos problemas da formação.

É obvio que esta situação não se verificará em todas as zonas do país, nomeadamente na zona do Grande Porto e da Grande Lisboa. Provavelmente, na zona centro haverá maiores dificuldades. Mas na zona onde resíduo, no Minho, a situação é algo preocupante. Apenas disfarçada pelo excelente trabalho que foi feito na formação do Óquei de Barcelos em muito suportados pelos êxitos alcançados pela equipa sénior. O pouco número de equipas, nomeadamente nos escalões de juvenis e juniores é um facto visível dos problemas da formação nesta região.

É pois importante olharmos para este problema de forma realista e responsável, procurando soluções e tentando tomar decisões coerentes, de forma sustentável e não de resolução visando o imediato.

A nossa modalidade está bem viva e conseguirá voltar aos tempos da ribalta se todos nós que estamos ligados directa ou indirectamente contribuirmos de forma positiva para a resolução dos problemas existentes."

Por: Rui Neto in scn.pt

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A VISÃO DE...LUÍS BRÍZIDA

Solicitou-me o autor deste blog que manifestasse a minha visão sobre o União Futebol Entroncamento.
Devo dizer que não me apetece nada fazê-lo, porque me sinto muito triste com o ambiente que se vive no clube. Sinto que as pessoas do clube estão afastadas e se sentem “inimigas” umas das outras. É muito frustrante. O clube devia funcionar como ponto de encontro e de convívio entre as pessoas, e em vez disso, nestes quatro anos em que o frequento e vivo mais intensamente só vejo intrigas, mal entendidos, zangas, desaguisados, maledicência, etc.. Praticamente abandonou-se a vertente cultural e recreativa. A desportiva, com honrosa excepção das modalidades menos representativas dos interesses dos adeptos, é o que todos sabemos.

Afinal o União existe para quê?

Só para nos lembrar-mos que em tempos se fez muita coisa boa e de qualidade?

Para nos chatear-mos em vez de ser um escape do nosso dia a dia?

Para arranjar-mos inimigos?

Que grande treta!

Um clube com as características do União deveria ser frequentado por um conjunto de amigos, pessoas que gostassem de privar umas com as outras, onde se juntassem para viajar, dançar, praticar desporto, sentir orgulho nas equipas que nos representem nas mais diversas modalidades, até onde se ajudassem em assuntos extra-clube, enfim, viver a vida de uma forma mais saudável e interessante.
Em vez disso, de um modo geral temos um conjunto de pessoas que se esqueceram do clube, outro que o frequenta para beber umas “mine’s” e para tentar perceber se a pessoa “x” ou “y” fez isto ou aquilo com base numa motivação pessoal e de desrespeito para com o clube, outros que se acham donos inequívocos da razão e que tudo fazem para que sejam vistos como tal, e outros ainda (como eu) que não sabem bem porque é que por ali andam já que não há motivação para tal, mas que se sentem atraídos por aquele espaço, curiosamente!
É esta a visão que eu tenho do União, mas que me dá muita pena e muita vontade de continuar a lutar para mudar as coisas.
Por isso continuo a ajudar como quiserem e eu sentir que poderei ser útil, até que um dia me farte! Ou então, que por milagre tudo passe a funcionar tão bem que a minha ajuda já não seja necessária!

Sonhos!...

Luís Brízida

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A VISÃO DE...GONÇALO SERRAS

O União foi feito por pessoas de bem, que davam a cara, e se explicavam quando alguma coisa ia mal. Sempre houve intrigas, mais ou menos palacianas, no seio do UFE. Mas isso é uma coisa normal quando se vive as coisas com paixão. O que acontecia, é que de uma forma ou de outra, as pessoas encontravam-se e explicavam-se. O Rui Maurício dizia-nos a nós jogadores, que nós fazíamos o mais fácil, que era jogar hóquei em patins. Como jogadores, sentiamo-nos protegidos.

A minha geração de hoquistas inverteu o ciclo de derrotas em que o União se encontrava mergulhado. Não era raro ouvir falar nos vinte zero, trinta a zero que o União levava. Depois apareceu um projecto que foi ir buscar um técnico qualificado, com pergaminhos, e principalmente, com sede de vitória, e sem receio de construir nos primeiros anos os alicerces que permitiriam construir uma equipa vencedora. Jaime Graça.

Os pais, e os próprios directores estranhavam treinos inteiro a patinar, a travar, sem "jogo". Foi esse modelo, baseado nos alicerces, que trouxe o União à ribalta do Hóquei em Patins regional. Atrás de nós vinha uma geração que conquistaria voos ainda mais altos, do qual destaco um grande jogador, Daniel Noronha. Jamais me esquecerei da forma como ele protegia a bola dos adversários, apesar da constituição franzina, sendo quase impossível roubar-lhe a bola.

Existe um grande património de milhares e milhares de contos na mão de uma pessoa: Vítor Frutuoso. Para perceber o que se passa no União é preciso perceber como é que o Vítor Frutuoso, demasiado jovem e inexperiente, aparece no UFE, e pela mão de quem. Que estratégias ele tem, como explica o abandono de tantos jogadores, e principalmente, qual é o bloco, dentro do UFE, que apoia o presidente Vítor Frutuoso e porquê. Será que ele tem sequer consciência do património afectivo, logístico, e financeiro do UFE? Faz-se um inferno por causa de remodelar os balneários. Eu cresci com uma geração de dirigentes que ergueu um pavilhão inteiro, e nunca tiveram de ser piegas por isso.

Daniel Noronha, Mário Serra tinham um projecto para o clube. Foram afastados. Isto mostra que há uma política de extermínio da oposição dentro do UFE. Foram empurrados para fora do clube pela direcção, ou por quem a defende. Foram criadas as circunstâncias, de tal forma opressivas, que lhes restava apenas o abandono. Daniel Noronha e Mário Serra são pessoas inteligentes e com pergaminhos no hóquei. São também pessoas de bem, que deram a cara, saindo do clube, por questões que eu gostaria de ver explicadas. Daniel Noronha, um jogador que fazia milhares de quilometros por ano para vir treinar ao UFE desde Lisboa, um jogador que no auge da carreira recusou por amor ao clube, ofertas generosas de outros clubes, ir para o Santa Cita? Um clube menor no contexto regional? Alguém acredita que esta história está bem contada?

Parece-me que o União está a trilhar um caminho muito pouco democrático, e muito pouco inteligente. Parece-me que a ditadura está instalada. Parece-me que qualquer pessoa que faça oposição à actual direcção será brutalmente empurrada para fora do clube. Há interesses, naturalmente das pessoas que são remuneradas no UFE, em que pessoas inteligentes não se aproximem do Poder. Daniel Noronha e Mário Serra eram e são pessoas inteligentes, que se aproximavam do Poder. Por isso, foram corridas. A sangue frio. Foram-lhes criadas condições insustentáveis que os levaram a abandonar. Esta é a verdade.

Interessa as pessoas actuais do UFE que as suas incompetências não sejam desmascaradas. Incompetência, que, como podemos ver, está redundar na terceira divisão e no abandono de quase todos os jogadores.

O ciclo que se iniciou com a minha equipa de infantis, com a construção do pavilhão, com a subida à segunda divisão, parece ter terminado, tal como terminou uma geração de grandes dirigentes. Jorge Barral, Adelino Serras, João Maria Vaz, e tantos outros. Pela lógica o UFE prepara-se para outra travessia no deserto. Já passou por várias, há-de conseguir atravessar esta. Se calhar é preciso, como dizia a canção da Mafalda Veiga, morrer e nascer de novo. Como o restolho. Mas sempre, Sorrindo às Dificuldades.
Gonçalo de Oliveira Nunes Serras

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A VISÃO DE...

Depois de publicado no nosso blog o texto da autoria do nosso amigo Francisco Gavancho, intitulado A VISÃO DE..., publicaremos amanhã mais um texto desta rubrica.
O texto que será publicado é da autoria de um dos melhores jogadores de hóquei em patins que passou pelo União, e que depois da formação na nossa escola se transferiu para o SL Benfica e mais tarde para o Paço de Arcos onde foi colega de equipa do internacional português Filipe Gaidão.
Já sabe de quem falamos, não perca a resposta amanhã...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

RESULTADO SONDAGEM

Durante a semana passada lançamos um desafio aos nossos leitores, que se traduziu na seguinte pergunta:
Acha que deveria de ser marcada um Assembleia Geral Extraordinária para serem explicados pela Direcção os últimos acontecimentos do dia a dia do UFE?
As votações termiram ontem e à pergunta responderam 24 dos nossos leitores. Os resultados demonstram que a maioria dos nossos leitores (80%-19 leitores), sócios ou não, concordam com a marcação de uma Assembleia Geral do clube para serem discutidos e explicados os últimos acontecimentos da vida do União.

sábado, 8 de agosto de 2009

OBRIGADO RIBATEJO

Mail chegado à nossa redacção do árbitro Fernando Cabaço.

"Já reparei que os tempos andam agitados para os lados da UFE, e também já reparei que já visitas-te o meu blog, tanto assim que transcreveste as mudanças que vão acontecer no Hóquei.

Tenho pena que a UFE esteja a passar pelo momento que passa, mas o próprio tempo se encarregará de mudar o estado das coisas... oxalá assim seja.
Eu próprio, depois de uma belissima época que passei aí, ou cá, pelo Ribatejo, vou ter que regressar a Lisboa, por motivos vários, um dos quais o profissional que me empurra mais para os lados de Lisboa do que para as belissimas gentes Ribatejanas, é a vida e contra a qual nada podemos fazer.
Recordar-me-ei eternamente a forma como sempre fui bem recebido quer aí na UFE, quer em qualquer outro clube da nossa região, foi só durante uma época, mas chegou para ver que se todos nos respeitar-mos existe sempre aquele tempinho para uma "bejeca".
Jamais esquecerei as muitas horas que passei aí nos eventos nacionais (Inter-Regiões, Final4 senior) e até na Clinic UFE.
Envio a todos os simpatizantes da UFE um grande abraço, e faço votos para que depressa vejamos o grande clube do Entroncamento no lugar que é dele por natureza e direito próprio.

Um abraço

Fernando Cabaço"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A VISÃO DE...FRANCISCO GAVANCHO

Quando no dia 17 de Janeiro larguei da Base Naval de Lisboa, o União deslocava-se a Cascais para cumprir a 14ª jornada. Na altura a equipa estava uns pontos acima da linha de água e estava a fazer uma 1ª volta dentro do que se previa para a equipa. Com o decorrer do campeonato tudo se foi complicando e terminou com a eventual descida, numa época em que nada o fazia prever, e em que faltou muito à equipa, a começar, e na minha opinião, o apoio directivo, pois os jogos que acompanhei e foram muitos nunca, repito, nunca vi um director sentado no banco de suplentes, e isso faz-se sentir dentro de campo. Uma equipa com bons valores e com atletas que sempre conheceram o emblema Unionista, e que agora começam a sair para outros clubes tinha a obrigação e o dever de se manter na 2ª divisão, inclusive para homenagear aqueles Unionistas que com denodo ajudaram a crescer o União, e que infelizmente partiram deixando um vazio no clube e nas pessoas que tiveram o privilégio de poderem ter sido seus amigos.
Várias foram as situações ao longo da época, em que alguém não ficou bem na fotografia, e posso citar uma ou duas, como por exemplo o caso de atletas que abandonaram a equipa de juniores, e a quem é dado um tratamento diferente, pois se a um se exige o dinheiro da inscrição, ao outro é permitido que represente uma outra equipa durante um torneio, ou seja duas faces da mesma moeda.
Fui acompanhando dentro do possível o meu clube e foi com tristeza que vi a descida à 3ª divisão, mas as informações que me iam chegando iam combatendo essa tristeza, pois sabia que estava um projecto em marcha e que “qual Fénix” o meu União iria renascer das cinzas da época 2008/09 e voltar ao seu lugar por direito nas próximas épocas. Foi com satisfação que fui sabendo da permanência de jogadores no plantel e o regresso de filhos da casa, e a contratação de um treinador com provas dadas no meio hoquista. Foi com redobrada satisfação que voltei a ver os eventos a regressar ao meu União, estou a falar do “Clinic” e do “Torneio 3x3” e claro do já habitual “Geração Sobre Rodas”. Lá fui comentando com os meus colegas de missão (que me iam ouvindo, mas sem serem apreciadores da modalidade), que o meu clube estava de volta aos bons velhos tempos e que se tudo corresse como previsto haveria de na época 2010/11 ver de novo o União na 2ª divisão e a cimentar essa posição.
Puro engano, de um momento para o outro tudo se desmorona como se de um castelo de cartas se tratasse, são os jogadores que se tinham comprometido com o clube a abandonarem, é o treinador a bater com a porta, são jogadores que sempre jogaram na União a saírem.
Nem tudo são más noticias no entanto, a promoção do Rui Alves a treinador é o indicador de que se está a apostar na prata da casa, mas até quando? Não irá acontecer outro volte-face e quiçá acabar com a equipa?
O pavilhão está a ser melhorado a nível de balneários, o que só por si é uma óptima noticia, mas a que preço? Serão verdade os rumores que correm em que o preço poderá ser elevadíssimo, ou por em risco aquilo que foi construído com tanto sangue, suor e lágrimas por uma série de verdadeiros Unionistas, alguns dos quais como referi anteriormente que partiram este ano?
Será igualmente verdade a rábula dos patrocínios, onde se opta por um (que até é intermediário) em detrimento de uma grande marca de material tanto a nível nacional como Internacional (aliás a marca onde o patrocinador escolhido vai comprar o material).
Sem querer apoiar “Gregos ou Troianos”, mas enquanto sócio e adepto vejo que não vai bem no clube, e se calhar seria a altura ideal para o Presidente se retratar e explicar a todos nós sócios e adeptos o que realmente se passou, se passa e se irá passar, e até que ponto os rumores que correm são ou não verdadeiros, ou não passam de uma manobra para denegrir a imagem do clube e dos seus directores, pois as sucessivas recusas em dar explicações, começa a dar razão a quem vai comentando a situação do clube, e são muitas.

Francisco José Gonçalves Gavancho
Sócio nº 1745